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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Carlos Calvet em Colóquio

nº 17* de Abril de1974
20 ladras
 " Não se pode falsear o invisível. Este não se vê." António Maria Lisboa
Dar nome ao que não se pode falsear, é encontrar um modo rigoroso, mas um rigor que não é previsto pela lógica. Um lógico pode e deve afirmar que o que não pode ser dito deve ser calado. A teimosia do artista é dizer o indizível, a função da arte é mostrar e não demonstrar.
Os pintores metafísicos, através de jogos muito hábeis de alteração do espaço cénico tradicional, ou das associações inabituais das imagens, provocam no espectador uma surda e fecunda inquietação como se um silêncio "vibrasse" na expectativa de um grito ou do brusco ruído de alguma máquina desconhecida. Tudo é simultaneamente estranho e íntimo, e deveria sem dúvida haver um nome para isso. O próprio vazio, como o escuro, o iniluminado, o negrume...
Para Duchamp, o acto altamente humorístico de dar nome constitui a criação por excelência.

in Carlos Calvet ou a antinarração por Rui Mário Gonçalves

Capa: Gouache de Carlos Calvet, 1973

domingo, 4 de novembro de 2012

Noronha da Costa em Colóquio

nº 8 * Julho de 1972
20 ladras 
Toda a pintura distribui de graça uma certa qualidade de silêncio. Mas certa pintura inscreve esse silêncio em qualquer coisa a que convém o nome sempre suspeito de "mistério"

reflexo num espelho ausente
Sobre a pintura de Noronha da Costa por Eduardo Lourenço

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Nikias Skapinakis, em Colóquio

nº7 * Abril de 1973
20 ladras
un peintre de l'attente et du silence par Jean-Jacques Levêque
na capa pormenor do quadro Sedução de Miss Europa, 1970

Do you Sir, Paint in Fear and trembling? Sobre o romantismo inglês, por José Augusto França

Arpad Szenes por Fernando de Azevedo

DADA morte e ressurreição da arte, por Fernando Pernes

Lembro que esqueço/A invenção do eco por Fernando Lemos

Algo se fecha no movimento ou numa luz, para ficar aberto.
Algo se abre em plena escuridão ou no fundo de um poço, para ficar aberto.
Entre uma coisa e outra, o eco, a imagem fiel e mais corajosa, martelando os nossos instintos e a nossa curiosidade. Para falar a verdade é mais válido um eco.
(...)
Lembrar que esquece é o mais-que-protesto de nos passarmos
de consumidores a sonâmbulos nos corredores dos supermercados. 
Mirar sem cegueiras os produtos, tocá-los com a mão gelada, esquecê-los
com o fascínio de quem dorme cauteloso, inoxidável, detergente.
Não se deixe consumir.
(...)


sábado, 5 de maio de 2012

Fernando Lemos, em Colóquio

número 12 * Abril de 1973
20 ladras
‎"Qual seria a explicação 
para rolar o corpo despreocupadamente
pela vertente de uma serra
se a descida fossem cacos!?
Cacos de garrafas voluntárias?

Haverá outras vertentes? Cacos?
Mulheres nuas desafiando a noite em paisagens fortuitas?

Devorar a chuva que a excitação lhe mata
(...)
virar por um atalho mais perto e sem saída."


Fernando Lemos, 1951

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Amadeo (e Santa Rita), em Colóquio

número 58 * Dezembro de 1968
20 ladras
Amadeo
(E Santa Rita)
1918-1968
por José Augusto França
(...)
Ao lado dele, havia Santa-Rita -de quem podia igualmente aqui celebrar-se o cinquentenário da morte. Ao lado dele e contra ele: Santa-Rita, personagem irritante, marcou porém uma posição intelectual dentro de um futurismo duvidoso que havia de interessar meia dúzia de portugueses, como Almada. E por tabela, o próprio Amadeo. Pouco se sabe desta figura quase lendária que tanto nos surge como um "adivinhão latino" como na pele de um "fumiste", sem consistência.
(...)
Ele foi o maior, ou o único pintor "moderno" dos anos 10 em Portugal, sem dúvida - mas só saberemos o que isso quer dizer quando pudermos estudar inteiramente o contexto da sua acção.